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Avaliação muscular isocinética em atletas de escalada indoor. |
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Introdução
Em 1989 iniciou-se na Europa e nos E.U.A uma série de eventos competitivos mundiais da escalada esportiva "indoor" (Bertuzzi, 2000). No Brasil, a escalada esportiva "indoor" surgiu em São Paulo, na década de 90. Estima-se, que nos Estados Unidos, mais de 100.000 pessoas estão praticando este esporte, que tem se tornado cada vez mais popular na última década. Este esporte foi considerado por muito tempo uma atividade de alto risco, relacionado a traumas de alta intensidade, principalmente em função de acidentes como a queda de grandes alturas.
Com os avanços tecnológicos, os equipamentos de escalada esportiva têm se tornado mais seguros, possibilitando aos escaladores um maior foco em estilo e técnica, o que tem tornado as competições cada vez mais difíceis. Em contraste, os atletas de escalada esportiva se encontram cada vez mais susceptíveis a lesões devido à sobrecarga no aparelho locomotor, uma vez que este esporte é caracterizado por movimentos explosivos (Hass, 1995).
As lesões dos membros superiores, tais como as avulsões tendinosas, tenossinovites de punho e dedos e as capsulites de ombro, vêm sendo descritas em escaladores (Cole, 1990).
Haas & Meyers (1995), mostram que os acometimentos nos tendões da mão, atingem freqüentemente os músculos flexor superficial e flexor profundo dos dedos. Também pode ser observada em escaladores a Síndrome do Túnel do Carpo, provavelmente originada pelo aumento da tensão muscular no punho.
Em relação ao cotovelo, as lesões também aparecem, principalmente as tendinites e epicondilites (Bollen,1986). As lesões da articulação do ombro, são frequentes. Foram observadas lesões como a síndrome do impacto e diversos outros acometimentos relacionados ao posicionamento dos membros superiores durante a escalada. Todo o peso do escalador é transferido para os tendões dos ombros, uma vez que o posicionamento mais comum é a abdução dos ombros acima de 90 graus, extensão dos cotovelos e força ativa mantida apenas nos flexores dos dedos.
A
crescente evolução do esporte, com frequentes competições,
e a falta de uma consciência preventiva em relação
às principais lesões da escalada esportiva "indoor",
foram os principais incentivos que deram origem a este estudo, que tem
como objetivo a realização de uma avaliação
funcional do ombro dos escaladores para verificar a dinâmica muscular
e a presença de possíveis desequilíbrios.
Objetivo Estudar a atividade muscular e detectar possíveis desequilíbrios do ombro de praticantes da escalada esportiva indoor (nível competitivo), através da dinamometria isocinética em três eixos de movimento - flexão/extensão, adução/abdução, rotação externa/interna.
Foram selecionados 10 escaladores entre três academias de escalada esportiva indoor da cidade de São Paulo. Esta amostra foi composta por indivíduos do sexo masculino, com idade variando de 15 a 40 anos (Grupo 1 - Experimental). Todos os escaladores da amostra, treinavam de duas a quatro vezes por semana com pelo menos dois anos de prática. Foram excluidos aqueles que apresentavam alguma lesão no ombro num período de até três meses prévios à avaliação isocinética. O grupo controle (Grupo 2), foi constituído por indivíduos do sexo masculino com idade entre 15 e 40 anos. Todos os integrantes do grupo 2, apresentaram intensidade de atividade física mínima, de acordo com a Academia Americana de Medicina Esportiva.
Método
Todos os participantes foram submetidos à seguinte avaliação:
1.Identificação: nome idade tempo de escalada intensidade de treinamento peso corporal altura
2. Inspeção postural do ombro (rotação interna / externa): Avaliados através de uma linha imaginária vertical, entre o lóbulo da orelha e o limite anterior da cabeça umeral.
3.Dinamometria isocinética: A avaliação foi realizada na articulação do ombro, direito e esquerdo, para os movimentos de adução/abdução, flexão/extensão e rotação interna/rotação externa. As velocidades utilizadas foram 60 graus/segundos (4 repetições) e 240 graus/segundos (20 repetições).
Para a avaliação da abdução/adução e flexão/extensão, todos os participantes foram posicionados no módulo (UBXT) sentado e com o eixo de movimento articular alinhado com o eixo do dinamômetro. Nos movimentos de rotação interna e externa o participante foi posicionado em pé, com o eixo do dinamômetro alinhado ao eixo do movimento (no cotovelo), por paralelismo ao eixo articular do ombro.
Os parâmetros estudados foram: -torque máximo (N/m); -trabalho total (Joules). -relação entre os músculos agonistas e antagonístas dos movimentos estudados (torque e trabalho total).
Os valores encontrados nos grupos 1 e 2 foram avaliados e comparados por métodos paramétricos (teste t de Student) e não paramétricos (teste U de Mann Withney).
Resultados
A inspeção postural do ombro, realizada de maneira comparativa
entre o grupo 1 (escaladores) e o grupo 2 (controle), mostrou diferenças
entre os dois grupos. No grupo 1,100% dos atletas apresentou rotação
interna e protusão de ombro bilateral. No grupo controle apenas
um indivíduo mostrou esse padrão postural do ombro.
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