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Febre de cume. |
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Existe uma febre que costuma atingir até mesmo os montanhistas mais experientes, a chamada Febre do Cume. Quando a pessoa está muito perto de alcançar seu objetivo, ela fecha os olhos para os riscos e, simplesmente, segue em frente. Não saber a hora de parar, respirar, analisar com calma e, se necessário, voltar atrás, pode ser o fim. Não só no alpinismo, mas em todas as circunstâncias da vida. Até o mais que ambicioso Napoleão Bonaparte costumava dizer que, muitas vezes, uma retirada estratégica é a maior vitória.
O excesso de autoconfiança, como todos os excessos da vida, também pode matar. O tipo de pessoa programada para ignorar desconfortos físicos e continuar avançando rumo ao topo (seja em que atividade for) também é, com freqüência, programada para ignorar os sinais de perigo iminente e grave. Para se ter sucesso é preciso estar bastante motivado. Mas, se a motivação for excessiva, é provável que se morra. Quando termina o medo, começa o perigo. Além do mais, respirando apenas a metade do oxigênio (ou menos, muitas vezes), numa temperatura diversos graus abaixo de zero e sob extrema fadiga, a linha divisória entre precaução e febre desmiolada do topo torna-se perigosamente tênue. Por isto, as encostas das grandes montanhas estão cobertas com tantos cadáveres. Além do mais, é preciso levar em conta que nas grandes altitudes tempo e distância ganham outra dimensão. Nosso organismo não percebe as diferenças de temperatura abaixo dos 10 graus negativos e não tem sensibilidade para distinguir a variação térmica a partir daí. Uma situação destas, levada ao extremo, pode congelar e matar antes mesmo que a pessoa sinta qualquer mudança em seus sinais vitais. Nestes casos, o corpo perde tanto calor para o meio ambiente que a temperatura do organismo humano pode cair a níveis prejudiciais à vida de alguns órgãos, como as pontas dos dedos, orelhas e nariz. Por isto tantos escaladores alcançam o cume, sentam para descansar e não acordam mais. Em 1986, o alpinista italiano Renatto Casaroto, um herói das montanhas, descia do K-2 quando caiu numa greta. Ele tirou o walkie-talkie e chamou a mulher, no Acampamento-base. Uma equipe de resgate o içou do fundo do gelo, no final do dia, ainda vivo. Ele abraçou os amigos, beijou a esposa, deu alguns passos, sentou-se sobre a própria mochila e morreu. |
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Montanhista |
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