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A importância da "pegada". |
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Os dedos são extremamente solicitados durante uma escalada. Como são apêndices pequenos e delicados podem sofrer lesões sob certos esforços. Treinamentos especiais para fortalecer os dedos chegaram a um ponto em que podem ser mais danosos do que úteis. Grande parte das lesões nos dedos podem ser plenamente curadas, com exceção das artrites, que são o resultado acumulativo de "micro-traumas", de fraturas sérias e etc. Infelizmente muitas lesões não são curadas porque não damos tempo suficiente para essa recuperação. 0 autor já viu muitas lesões deste tipo para saber predizer quais terão cura, baseando-se unicamente na personalidade e caráter do dono dos dedos. Aquele tipo de escalador obsessivo que, aparentemente, não tem outra fonte de prazer e auto-estima que não seja escalando, é o que pior se recupera. Ele reinicia as atividades cedo demais, forte demais ou com pouca preparação; e depois termina com problemas crônicos ou até irreversíveis. Estruturas que podem ser lesadas. Comparando com o tórax, os nossos dedos têm poucos tecidos que possam ser danificados; pele, unhas, nervos, vasos sanguíneos, ossos, articulações, ligamentos e tendões. Os tecidos das pontas dos dedos são feitas de numerosos saquinhos cheios de gordura que podem cicatrizar e endurecer após múltiplas lesões por esmagamento, embora isto não nos pareça um problema maior. Nervos também podem ser danificados, geralmente nas bordas de fissuras de canto vivo. Isto pode provocar uma temporária falta de sensibilidade no local afetado. Lesões nos vasos sanguíneos são raras mas bastante sérias. As lesões com as quais nos ocuparemos neste artigo são as que ocorrem nos tendões e articulações. Os dedos - que não são dotados de músculos agem como marionetes, acionados por volumosos músculos no antebraço, e por músculos menores na palmas da mão. Para podermos explicar a função da mão e es lesões nos dedos durante o escalada, usaremos termos técnicos que precisaremos definir.
Tendões: os extensores e os flexores.
Este fenômeno explica porque a pega, em certas agarras na rocha, é mais forte em umas, mais fraca em outras e também explica porque as agarras que se projetam um pouco para fora mais fáceis de abraçar. Posição do pulso, geometria da pegada e esforços. É nas articulações que acontece o movimento. As extremidades dos ossos nestas articulações são cobertas por uma substancia incrivelmente lisa, macia e livre de atritos chamada cartilagem. A cartilagem tem uma capacidade muito limitada de reparar-se, devendo pois ser encarada como um recurso não renovável, Você já ouviu falar em artrite? Pois ela é o estado doloroso, inflamado, enrijecido, deformado e inchado das articulações, resultado final de destruição das cartilagens. Agora só falta explicar o que são os ligamentos: pequenos cabrestos ou limitadores que conectam osso a osso por sobre as cartilagens de uma articulação. Os ligamentos têm elasticidade apenas limitada e sua função é estabilizar as juntas ou articulações. Como funciona? O arranjo dos ligamentos e o formato das superfícies articulares é que determinam de que maneira uma articulação se pode mover. As articulações IF (inter-falangeais) funcionam mais ou menos como dobradiças. Elas não são destinadas a rodar ou a bascular lateralmente. Eis porque escalar uma parede de agarras é mais natural e agradável do que escalar fissuras.
Estas bainhas são urna espécie de túnel acoplado 'a ossatura do dedo e servem de "conduíte" para as tendões, de modo que estes não se estiquem como corda de arco ao se flexionar os dedos. A cápsula articular é um ligamento especializado que fica do lado do flexor (lado da palma da mão) da articulação. Sua função é evitar que o dedo vá para trás, hiperextendendo-se, Estes ligamentos são pontos de concentração de forças tremendas durante uma pega enérgica, e são entretanto freqüentemente danificados na escalada. Usos especializados de dedo. Os macacos tem mãos adaptadas à locomoção e não conseguem (com exceção do gibão) extender passivamente a articulação IFD para pegar ou apertar. A mão humana evoluiu para manipular e por isso consegue esta proeza. Proeza muito útil para escrever ou digitar teclados, mas pouco adequada a uma atividade simiesca como a escalada. A pega "gancho de cabide" expõe a articulação IFD e sua cápsula articular a forças passivas tremendamente altas (e incontroláveis).
Outras formas de pegada. Pesquisas médicas sobre artrite da mão em trabalhadores da indústria reforçam estas idéias. Gestos de pinças com os dedos (análogos a pega "gancho de cabide") produzem um esforço transverso mais notável e pressões mais elevadas nas articulações IFP e IFD o que leva, comprovadamente, a uma alta incidência de artrite. Gestos de abraçar produzem menor solicitação das juntas ou articulações e bem menos artrite. 0 abraçar é análogo a pega de mão espalmada. A pega vertical, ou tipo "Skyhook", é tida como muito dolorosa. Ela provavelmente é o equivalente alpino do passo de balé "en pointe" que devido as elevadas forças de flexão produz muitas lesões. O trancamento da mão em fendas torce as articulações, sujeitando-as a esforços anti-naturais e possível artrite. A pega tipo "dedal" é relativamente nova. Trata-se de uma pega de um dedo só, colocado em um buraco pequeno. Evidentemente esta pega representa uma concentração exagerada de forças. Por isso tudo é sempre bom alinhar a tração com o próprio dedo, sem esforçá-lo lateralmente, o nosso dedo médio, o mais longo e também o mais forte e o mais utilizado para este fim. Um fato interessante que, neste caso, pode levar a novas lesões é gue os "cabos de comando" dos dedos não são independentes ou plenamente separados. Para convencer-se disso tente dobrar o dedo médio sozinho sem dobrar os dedos vizinhos, se você realmente esforçar-se, sentirá alguma dor na base da palma de mão e no antebraço. Isso se deve e distensão no feixe de músculos ou em partes inter ligadas do sistema de músculos e tendões. Diferenças físicas de um indivíduo para outro, em termos de anatomia funcional, podem explicar porque algumas pessoas suportam esta pega mais facilmente e menos dolorosamente do que outras. Tendinite é uma inflamação relativamente comum nos flexores das dedos. E bastante parecida com a famosa tendinite do cotovelo que aflige tantos escaladores. Na realidade,ela envolve a outra extremidade do mesmo feixe de músculos flexores dos dedos). Tudo que termina em "ite" significa inflamação, na medicina. Esta pode dever-se a distensões grandes ou pequenas, atrito excessivo nas polias ou bainha, efeito de estresse (como uma fratura na dedo), ou mesmo destruição mecânica. 0 processo se inicia com algum tipo de machucado. Inflamação é a resposta orgânica a qualquer lesão e geralmente desaparece após alguns dias .Se no processo de recuperação ocorrer nova lesão ou abuso então a coisa pode tornar-se crônica. Eventualmente um tendão pode ficar tão inflamado que até mesmo os esforços cotidianos (abrir frascos, transportar livros) podem manter uma inflamação. Tendões inflamados incham-se e podem prender-se no interior das bainhas e atritar-se nelas. Isto pode criar um nódulo local no próprio tendão, como uma pérola fixada em um fio. Este nódulo pode travar-se na bainha e gerar uma espécie de "dedo de gatilho" porque o dedo só consegue ser estendido com um doloroso estalido. Isto já aconteceu com grande número de escaladores. O tratamento requer que a inflamação seja interrompida e isto exige que a atividade seja suspensa ou diminuída a algum nível que não produza nova inflamação. Ou seja, ao menos um nível de atividade que não produza dor ou ainda menos. Uma pessoa que tenha arranjado uma tendinite praticando o bouldering deveria suspender esta prática caso sinta dor. Pode-se tornar recomendável fixar uma tala ao dedo (ou seja: impedir toda atividade), uma vez que a dor tenha sumido não há mais inflamação, no entanto não houve cura ainda. Isto leva tempo , até três a seis semanas dependendo da seriedade da lesão inicial. Quando a cura se completar , o tendão ainda não estará em condições de atuar em escaladas como a que originou o problema. É aí que entra a reabilitação com treinamento sistemático e fortalecimento gradual por um mês ou mais. Este processo incrivelmente lento e prolongado está além da paciência da maioria dos escaladores. O que geralmente acontece é uma série de novas pequenas lesões devido a um retorno a atividade muito rápido ou vigoroso demais. A maior parte das pessoas, no entanto, retorna a sua atividade tão logo a dor diminua a níveis suportáveis. Evidentemente que se resolvem em poucos dias se deixados em paz. Como curar-se? 1. Reduza a atividade até que a dor, o inchaço e a hipersensibilidade tenham desaparecido. 2. Espere mais duas semanas. 3. Comece a exercitar-se aumentando o esforço {massa de modelar, bola de borracha, alicate com mola, etc.) durante 2 ou 3 semanas. 4. Escaladas de pouca inclinação e agarras grandes - 1º mês. 5. Escaladas de grande inclinação e agarras grandes - 1 mês. 6. De volta a forma antiga - ou melhor. Medicamentos anti-inftamatórios (Aspirina, Voltaren, Motrin, etc.) podem ser empregados para controlar os sintomas e acelerar o processo de recuperação. Estas drogas não devem ser usadas para suprimir dor de modo a permitir ainda mais o uso, visto que isso eventualmente levará a lesões piores e recuperação ainda mais demorada. Artrite significa inflamação da articulação. Quando ocorre no contexto do nosso esporte, a artrite envolve danificações nas juntas ou mesmo destruição por sobrecarga mecânica. Um machucado comum que pode produzir dor nas juntas a distensão nos ligamentos. Isto é, um rasgamento parcial ou total do ligamento. Uma distensão total produz uma instabilidade de articulação e exige atenção médica, geralmente imobilização, possivelmente um reparo cirúrgico. Distensões parciais requerem proteção até que e cura se complete; e isto pode exigir imobilização do dedo ou interrupção de prática do esporte. Assim como no caso dos tendões, um período de reabilitação e readaptação também se faz necessário. Lesões nas cápsulas articulares são outros tipos de problema dos ligamentos. Na articulação IFD, estas lesões geralmente se devem a uma distensão proveniente de ume hiper-extensão, quase sempre envolvendo a pega tipo "gancho de cabide". Já na articulação lFP uma lesão da cápsula articular geralmente se dava á tração exercida pelo tendão flexor profundo sobre sua bainha, visto que esta se prende a cápsula articular por sobre a articulação. Tais problemas, tanto na junta IFD como na IFP, levam e um amaciamento da superfície flexora da articulação, causando dor a qualquer flexão passiva. Distensões parciais são tratadas como quaisquer outras distensões do ligamento. Distensões totais permitem uma extensão normal e exigem, Portanto, imobilização total ou um reparo cirúrgico. Todas as lesões nas articulações produzem inchaço. A junte parece estufada, torna se (rígida; ao tato faz-se sentir macia, esponjosa e dói, especialmente quando flexionada. Toda atividade precisa ser interrompida até desaparecerem os sintomas. Um vez que ocorra uma lesão séria, que chegue e desestabilizar a articulação ou mesmo modificar as superfícies de contato de junta, Inicia-se um processo de deterioração progressivo. Esta deterioração contínua se deve ao desgaste desigual e à solicitação inadequada de esforços sobre a articulação, pois passam a concentrar-se ali forças que excedem a resistência dos tecidos da articulação e assim persiste o processo destruidor. O resultado disso é uma junta enrijecida, inchada, deformada e dolorida. Esta é uma situação para a qual não há remédio. Os sintomas podem ser controlados por meio de medicamentos e atividade consideravelmente reduzida. A intervenção cirúrgica é praticamente inútil para alguém que deseja permanecer ativo neste esporte. O grau de desenvolvimento de artrite falangeal tem sido relacionado a força e ao volume da musculatura do ante-braço, Entrevistas realizadas com escaladores de alto nível nos levam a crer que lesões nos dedos ocorrem com mais freqüência entre escaladores "naturalmente" fortes, do tipo que já tenha boa força nos dedos antes de começar a escalar. A artrite mais comum entre os escaladores é aquela na articulação IFP do dedo médio. Isto se deve à maior flexão solicitada a esta junta a fim de igualar-se à demais numa pegada que lhe aplica forças bem maiores que as demais articulações. Crioterapia ou não? Calor e frio também são relacionados à artrite mas, em geral, têm efeitos pequenos. O frio reduz a circulação local e o metabolismo dos tecidos, desacelerando quaisquer reações químicas celulares que estejam ocorrendo. No entanto o frio é útil para controlar inflamações porem nunca deve ser aplicado antes da atividade já que torna os tecidos rígidos a viscosos, aumentando e probabilidade de tesões. A melhor aplicação do frio é logo em seguida a uma atividade intensa ou durante os primeiros dois dias após uma lesão. Por outro lado o calor tem efeito de acelerar o nível de atividade celular e da circulação sangüínea local. Não se deve fazer uso tratamento com calor na presença de alguma inflamação ativa. Qualquer tipo de aquecimento, seja numa rotina de aquecimento ou na aplicação de uma fonte de calor é sempre recomendável antes de qualquer atividade física. Injeções de cortisona envolvem apenas a introdução localizada de ume poderosa droga anti-inflamatória. Isto é realmente eficaz para quebrar o ciclo de inflamação crônica em um paciente cooperativo (que saberá esperar a cura total antes de voltar a escalar). Alguns efeitos adversos do tratamento à base de cortisona são o emaciamento dos tecidos proximais, um decréscimo da taxa de recuperação e uma resistência local a inflamações. A cartilagem das juntas também pode deteriorar-se através do uso local de esteróides. Enrolar esparadrapo em torno dos dedos, entre uma junta e outra, é bastante útil porque atua reforçando as bainhas dos tendões flexores e também diminuindo a mobilidade das articulações e, desta forma, prevenido lesões que acontecem em posições extremas. Além de tudo isso o esparadrapo também protege a pele dos dedos. Um tema fundamental na medicina esportiva é que questão do tempo e da paciência. Os tecidos do sistema músculo-esquelético são capazes de feitos notáveis em termos de "consertos" e restauração, mas este processo são lentos. Não existe nada que possa acelerar significativamente estes processos de recuperação se não forem oferecidas as condições em que se possa desenvolver a reabilitação (repouso seguido de fisioterapia gradual e sistemática). Os atletas precisam substituir os comportamentos nocivos e auto-destrutivos pela paciência na hora do aquecimento e da recuperação das lesões, só assim será muito mais fácil prevenir e evitá-las. |
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Mark Robinson, Lynn Hill e Russ Hirsch. Revista: Climbing Desenhos: Susan Wraeh |
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