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O sal. |
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O sal já foi considerado uma preciosidade e os romanos, inclusive,
usavam-no como moeda. Hoje, a cotação do sal está
em queda porque ele pode trazer problemas como a hipertensão
e a catarata quando consumido em excesso. E, provavelmente, você
ingere o dobro da quantidade máxima recomendada de sal por
dia. Portanto, reduza o sal refinado da sua dieta.
Seu corpo precisa de sal para as funções mais vitais.
Para que cada uma de suas células: receba nutrientes e elimine
detritos na corrente sanguínea, para a contração
dos músculos (inclusive do coração), para transmitir
os impulsos nervosos e para digerir e absorver os alimentos. Então
por que recomendamos que você coloque menos sal na comida? "Os próprios alimentos já são as fontes naturais de sal e o ser humano não precisa complementar a dieta", afirma Fabio Sândoli de Brito, médico cardiologista, diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e especialista em cardiologia esportiva. Muita gente vai torcer o nariz para essa recomendação. Afinal, abrir mão de temperar a salada, o arroz e outras comidas durante o preparo pode tirar parte do prazer de uma refeição. "Minha sugestão é que as pessoas substituam o sal comum pelo sal light", afirma Joel Claudio Heimann, médico nefrologista e professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
Inimigo silencioso.
Esse consumo excessivo não passa despercebido pelo nosso corpo.
Um estudo divulgado pela revista American Journal of Epidemiology
com 3 mil adultos mostrou que pessoas que mantêm uma dieta rica
em sal têm o dobro de chances de desenvolver catarata, uma doença
que, não tratada, pode levar à cegueira.
A pesquisa também observou que quem consumia mais sal teve
maior propensão à hipertensão arterial e à
diabetes. A hipertensão é uma doença perigosa,
principalmente porque é um "inimigo silencioso",
já que seus sintomas não são percebidos no estágio
inicial. Quando a pessoa começa a ter tonturas, dores de cabeça,
diminuir a quantidade de urina e desenvolver problemas cardíacos,
a doença pode estar instalada há muito tempo.
Pesquisas também provaram que reduzir o sal da dieta ajuda
a combater a hipertensão e suas conseqüências. Um
estudo da OMS aponta que parte dos hipertensos consegue cortar pela
metade o risco de ter um derrame caso diminua o consumo diário
de sal. Com essa mesma atitude, as pessoas diminuem em 23% a probabilidade
de morrerem em conseqüência de um derrame quando tiverem
mais de 50 anos.
Aliado à redução de sal, o exercício físico
regular é uma arma contra a pressão alta. "Quem
pratica corrida colabora para que seu organismo controle ou não
desenvolva a hipertensão. A atividade física aumenta
a eficiência dos vasos sangüíneos, do bombeamento
de sangue pelo coração e diminui a freqüência
cardíaca", explica Maria Urbana Rondon, professora de
educação física e funcionária da Unidade
de Reabilitação Cardiovascular e Fisiologia do Exercício
do Instituto do Coração (InCor).
O sal é composto de sódio (40%) e cloro (60%), na fórmula
NaCl. O médico nutrólogo especializado em esportes Alexandre
Merheb explica a função de cada componente.
> Sódio - age no equilíbrio de água do corpo,
na entrada e saída de substâncias das células
e na transmissão de impulsos nervosos (permite o funcionamento
do cérebro e o controle de nossas funções vitais).
O sal é extraído basicamente de duas fontes: do mar
e das rochas. A composição deles é praticamente
a mesma, mas recebem denominações diferentes (sal marinho
e sal-gema, respectivamente). De acordo com a forma que são
processados, recebem outros nomes:
>
SAL DE COZINHA
- é o mais comum. Geralmente refinado, é "enriquecido"
com iodo, selênio magnésio e zinco.
Inchaço.
A influência do sal na pressão arterial está relacionada
a uma propriedade dessa substância: precisa estar dissolvida
em água para agir. Ou seja, quanto mais sal a pessoa coloca
no organismo, mais líquidos precisa para dissolvê-lo,
sobrecarregando o sistema circulatório.
Como o consumo excessivo de sal ocorre todos os dias, a tendência
seria a pessoa inchar indefinidamente. Mas o organismo possui um mecanismo
para eliminar o excesso de sal e, junto dele, o excesso de água.
O órgão envolvido nesse processo é o rim. "O
rim é responsável por um dos equilíbrios mais
perfeitos do corpo humano. Ele faz, principalmente à noite,
uma limpeza geral e elimina o sódio que a pessoa come a mais",
explica Paulo Olzon Monteiro da Silva, nefrologista e professor de
clínica médica da Unifesp. Por isso, a pessoa começa
o dia mais "sequinha" e com o corpo equilibrado.
O equilíbrio se desfaz, porém, para os que têm
problemas renais. Aí o órgão fica sobrecarregado,
a pessoa acumula mais líquidos e pode desenvolver fibrose renal
e chegar à falência do órgão. Exercício.
"Se você consome mais sal que a recomendação
diária, reduzi-lo na dieta vai trazer benefícios para
o seu corpo e para seu desempenho: você vai ficar mais leve",
afirma Edson Credidio, médico nutrólogo, professor de
dietoterapia da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto
e membro do International Colleges for the Advancement of Nutrition,
dos EUA. Use a tabela para calcular qual o seu consumo médio
de sal por dia.
O médico, no entanto, faz um alerta. "Quem vai correr
uma prova de longa distância e não consome sal em excesso
não pode eliminá-lo de sua alimentação
antes e na prova, ou corre o risco de ter uma hiponatremia - falta
de sódio no sangue - durante a corrida", diz. A hiponatremia
provoca tontura, desmaio, fadiga, náusea e desorientação.
"O maior problema do sal é a quantidade que ingerimos
sem nos dar conta, como em produtos industrializados, congelados ou
enlatados. É importante ler os rótulos para ver a quantidade
de sódio que existe em cada porção e assim controlar
os níveis de sal", sugere Joel Claudio Heimann. "E,
sempre que possível, evite colocar sal nos alimentos ou use
o sal light", finaliza.
"Como o isotônico contém sódio, seu
consumo deve ser feito em atividades físicas intensas de mais
de uma hora de duração. Antes disso, você pode
sobrecarregar seus rins", afirma Antonio Cláudio da Nóbrega,
fisiologista e membro da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte.
Os pais devem redobrar o cuidado com as crianças. "Elas
não precisam de tanto sódio e não devem tomar
isotônicos" alerta Manuela Dolinsky, nutricionista, doutora
pela Unifesp.
O costume de tomar sal para aliviar uma tontura quando a pessoa está
com pressão baixa pode ser perigoso. A pressão alta
também provoca tonturas e, nesse caso, o sal só vai
piorar a situação. Quem está com pressão
baixa tem também um zumbido no ouvido, dor de cabeça
e ecotomas (vê pontos cintilantes). Para não errar: deixe
o sal de lado e deite, para que o sangue volte ao cérebro.
- Marcus Vinicius Bolivar Malachias - cardiologista, diretor clínico do Instituto de Hipertensão de Minas Gerais e da Fundação do Coração da Sociedade Brasileira de Cardiologia (Funcor/SBC) e professor da da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. - Tamara Mazaracki - médica nutróloga, membro da Sociedade Brasileira de Nutrologia. |
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Evandréia Buosi |
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