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Não há qualquer exagero quando se diz que as
tendinites representam, atualmente, os diagnósticos mais comuns. Tudo
porque o ambiente esportivo está cada vez mais competitivo e os exageros
em treinamentos sem supervisão já são incontroláveis. O pior é que tais
dores acabam se tornando crônicas, de tratamento longo e difícil.
Os tendões são estruturas muito resistentes que tem a função de "ligar" os
músculos aos ossos. Possuem fíbras colágenas em maior quantidade do que as
fíbras elásticas e é justamente por este motivo que o percentual de lesões
nestas estruturas é muito alto. Além disso, a sua vascularização é
reduzida, apresentam inclusive áreas avascularizadas que dificultam a
regeneração das lesões. O termo tendinite significa inflamação do tendão.
Muitas vezes essa inflamação localiza-se na membrana sinovial em posições
que o tendão passa em volta do osso "como polias". Tal patologia é
denominada tenosivite ou, quando localizada no paratendão, paratendinite.
Clinicamente é muito difícil diferenciar cada uma delas.
Diagnóstico:
A queixa principal é a dor, que se agrava com a palpação local. Em muitos
casos é possível se sentir uma certa creptação quando o tendão é
movimentado de maneira ativa ou passiva. Em outros casos, percebe-se um
aumento de volume no local, conseqüentemente a um espaçamento do
paratendão. No histórico do cliente, sempre vamos encontrar o exagero na
solicitação do tendão. No tendão de aquiles e no patelar, o paciente
costuma relatar: alterações no piso onde corre, na velocidade, no impacto
dos pés, no uso de terrenos íngremes, na troca recente de calçado, no
exagero do treino de saltos e etc. Alterações do alinhamento ósseo
(patela, joelho, calcâneo e etc) ou hiperflexibilidade podem predispor o
atleta a futuras tendinites. O exagero nos exercícios e nas cargas de
musculação, também podem desencadear o quadro. Não se deve admirar que
muitos atletas ou esportistas referem que a dor diminuiu durante a
atividade e reaparece mais tarde. Essa é uma característica de alguns
tipos de tendinites.
Ultra-sonografia:
Exame fácil, prático e rápido, presta-se bem ao diagnóstico de tendinites.
Os tendões com bainhas sinoviais (como no punho e ombro) são melhor
identificados no exame. Por outro lado, os tendões mais extensos e mais
espessos também são melhor visualizados. A evolução do tratamento e a cura
podem ser bem acompanhadas pela ultra-sonografia.
Tratamento:
- Reduzir a atividade (sempre que possível deve-se evitar o repouso total
do local).
- Substituir os agentes físicos desencadeadores: piso, agarras, calçado,
mochila, ...
- Corrigir os possíveis defeitos biomecânicos do treinamento.
- Aplicação de gelo por 15 a 30 min., 3 vezes ao dia.
- Após a aplicação de gelo, mobilizar transversalmente o tendão de maneira
leve. Em seguida alongar, sem dor, a musculatura próxima ao tendão lesado.
- Usar anti-inflamatórios tópicos sobre a forma de gel em massagens de
fricção transversal, para permitir a perfusão do medicamento. Repetir este
uso 3 a 6 vezes ao dia.
- Após o segundo dia, se for o caso, o fisioterapeuta poderá incluir no
tratamento a aplicação do ultrassom ou da corrente contínua ou diadinâmica.
- Exercícios na água (hidroginástica) são excelentes.
- O retorno à atividade esportiva plena deve ser gradual e cuidadoso.
- Todo o esquema terapêutico poderá ser adaptado caso a caso.
- O uso de anti-inflamatório sistêmico é
importante.
- Infiltrações com corticóides são condenáveis.
- É aconselhável o uso de gelo por 15 a 30 min. após a sessão de
treinamento por, pelo menos, duas semanas. Mesmo que já se tenha a certeza
da cura.
Prognóstico:
Geralmente é bom e a restituição da integridade do tendão é total. Mas é
preciso estar sempre atento aos exageros, má hidratação e a falta de
alongamento. Quando as lesões, mal tratadas, evoluem para tendinites
crônicas, o tratamento é sempre mais longo e difícil. Nessas condições,
não se pode descartar a hipótese de surgir a ruptura do tendão durante
algum esforço. |